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Quinta-feira, Junho 15, 2006

Barings Schmarings


“Barings, a História Banco Britânico que Salvou Portugal” é o título da obra editada pela Oficina do Livro, em 2005, e escrito por Fernando Sobral e Paula Alexandra Cordeiro.
Poder-se-á considerar o livro com uma síntese, pouco aprofundada, de alguns dos episódios que ligaram esse banco inglês à história portuguesa. Infelizmente, não existe um caracterização pormenorizada do panorama financeiro do século XIX, nem dos principais problemas financeiros públicos que assolaram Portugal durante o referido período. É porventura uma exposição de factos, por vezes pouco ligados entre sim, mas sem dúvida interessantes, numa abordagem jornalística e meramente ilustrativa. É de facto uma pena, não existir de facto uma publicação mais aprofundada, contudo receptivo à leitura de qualquer leigo interessado na matéria.
O problema do défice público, essa doença crónica portuguesa, que infesta a sociedade portuguesa há mais de duzentos, é uma realidade agora em voga, mas cujas origens podem ser traçadas desde o começo do funcionamento do estado moderno e liberal português no século XIX. Deste modo, é interessante a ligação do Barings, principal financiador dos saldos públicos negativos portugueses, durante cerca de cem anos, com o estado português. Independentemente de muitos dos escândalos, incompetências, azares da monarquia pós 1851 e da primeira república, a má gestão das finanças públicas é um problema comum a todos esses regimes, estando por trás do desgaste e da insustentabilidade dos vários governos desses períodos. Consequentemente é interessante verificar, neste nosso quotidiano democrático, após um interregno de 40 anos de estado novo, o ressurgimento da epidemia financeira, que esteve temporariamente hibernada. Daí a publicação dessa nova obra, que é sem dúvida uma história actual de tempos antigos, pelo menos no que diz respeito às finanças públicas.
Os tempos mudaram, porém lições continuam mal aprendidas. Será este o objectivo do “Barings”...Pena é que o seu conteúdo histórico, económico e político não foi melhor indagado e exposto...

Cícero Condorcet