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Segunda-feira, Junho 05, 2006

Força Selecção GNR: Afunda os submarinos!

É um título algo extravagante talvez, mas é uma suma apropriada da presente época eufórica de apoios veementes aos futebolistas lusos - heróis incontestáveis da pátria- e do envio de 120 guardas da GNR para Timor Leste-os novos heróis, pelo menos até o inicio do mundial; pois a partir daí aparecerão em segundo plano no telejornal: após uma reportagem completa das fintas e fitas do Cristiano Ronaldo, e uma decifração teológica dos sermões iluminados do padre evangelista Filipão. Mas agora a sério porquê os submarinos? Pois é uma questão apropriada! Merece de facto um esclarecimento, porque estes três factos aparentemente desligados uns dos outros estão até ligados. Vou então tentar explicar.
É indiscutível a clarividência do actual governo na decisão de mobilização das forças de policiamento portuguesas no território de Timor Leste, que juntamente com as 1300 tropas australianas, e forças de intervenção da Malásia e Nova Zelândia, ajudarão apaziguar os conflitos da nova nação, que se encontra ligada à Portugal após 400 anos de domínio colonial. Porém é inegável averiguar a existência de um certo desconforto financeiro que esta acção traz, porque Portugal, como o resto da Europa, cada vez investe e gasta menos na defesa. Os EUA, por outro lado, despendem cerca 3,5% ou mais do seu PIB nessa função, valores percentuais semelhantes aos países com real influência militar-o Reino Unido, Israel, Índia, China, Rússia, Austrália, Paquistão, Nova Zelândia, Indonésia, e os inimigos da democracia (o Irão, o Iraque de Saddam, Arábia Saudita e Coreia do Norte). A Europa mantém-se, assim , retrógrada, onde a Alemanha, o país da UE mais rico, em população, recursos e produção total, apresenta um dispêndio de 1,5%, a Itália de 1,9% e a França de 2,6%, estando Portugal na casa dos 2,1%. São claramente valores fracos, que se acentuam num contexto mundial, onde a Europa, cada vez mais, perde hegemonia política e económica, dependendo até do chamado falcão neo-liberal para a defesa dos seus próprios interesses de liberdade e democracia. Veja-se as dificuldades de resposta militar da Europa na guerra do Kosovo, a relutância em pressionar o Iraque de Sadam, e as dificuldades operacionais e logísticas em enviarem tropas para as suas ex-colónias africanas.
Ressalve-se que o dever da defesa nacional, é um dos pilares do contrato do estado com os seus cidadãos, e de uma importância pragmática e até simbólica na garantia da soberania e identidade nacional. Em sociedades turbulentas, muito antes de impostos serem arrecadados para competências sociais, culturais e ambientais dos estados, eram simples receitas para pagarem exércitos. Os povos sentiam portanto como uma prioridade, a necessidade de garantir segurança interna e externa. O próprio crescimento inicial e centralização progressiva do poder do estado, no século XVII, nasce com esse dever. Agora a questão será que a defesa deixou de ser necessária?
Penso que não. A Europa, zona económica abastada e consumidora, vive desde o final da Guerra Fria, na ilusão que nada afectará os pilares essenciais da sua qualidade de vida, efectivamente superior à maioria das nações paupérrimas do mundo-nada porá assim em causa a sua liberdade, riqueza etcetera... Por isso virou as costas ao mundo. Apesar das riquíssimas doações financeiras, e da maioria das preocupações cínicas e bem pensantes dos seus cidadãos em relação ao mundo, pouco ou nada faz... Não interfere militaremente em situações de catástrofe humanitárias e não sente a vocação de assumir que a liberdade individual, não é um só um ideal para a Europa, mas para o mundo.
Como é que isto então explica o título? Muito simples. Os estados europeus, incluindo o português são acomodatícios. Vivem para satisfazer os fetiches consumistas e alarmistas dos seus cidadãos, sem qualquer estratégia para o futuro. Todos nós nos identificámos com o povo irmão de Timor Leste, e para garantir a estabilidade num país recentemente criado, verificamos que sim, a nossa defesa necessita de ser utilizada. Deste modo, o estado sentiu de novo essa vocação, mas encontrou-se agora perplexo pela debilidade em conseguir financiar (em alturas de contenção de défice ainda por cima) uma missão de 120 homens, necessitando muito de aprovação da ONU, para receber co-financiamento. Contudo, em circunstâncias mais calmas, todos questionámos o porquê de investir na defesa...Para quê, comprar armas novas aos nossos militares? Porquê tanques? Porquê submarinos num país que tem a maior zona económica exclusiva marítima da Europa? O povo responde :apenas quando chover é que vamos abrir o guarda chuva, não antes, como é lógico!
Assim o povo europeu, do qual Portugal faz parte, vive no estado de miopia constante, carente de objectivos, e numa crise de identidade estatal, preferindo assim hastear as bandeiras (temporariamente até o mundial acabar), e durante uma ou mais semanitas, vislumbrar 11 esbeltos atletas que dentro de um relvado, nas terras germânicas, tentam colocar uma esfera entre dois postes...
Cicero Albuquerque


4 Comments:

Blogger fairy said...

Concordo realmente quando falas da crise de valores e de objectivos que Portugal está a passar, sentido-se o povo aliviado e animado com esta "festança" do mundial, mesmo estando nós a atravessar uma profunda crise económica e social. Uma espécie de "pão e circo", já utilizado pelos romanos, que saceia temporariamente o povo.
No entando, discordo inteiramente com a tua ideia principal! Ao contrário de ti, penso que, neste momento, Portugal, com a crise que assola o país, não se pode dar ao luxo de gastar mais do que gasta em armas e exército. Não vamos retroceder e caminhar em linhas de pensamento hegueliano, como o fizemos no início do século XX - ao subsumir e suprimir os interesses dos cidadãos aos do Estado- vamos primeiro tratar do nosso presente...porque sem ele não há aspirações a qualquer futuro! E com isto quero dizer que, em vez de Portugal gastar mais dinheiro com armas e exército - como tu propões - devia sim, dispender mais recursos em saúde, educação e na promoção de mais empregos, de forma a proporcionar um desenvolvimento sustentável, no presente, que projecte, estavelmente, Portugal para o futuro!

Terça-feira, Junho 06, 2006

 
Anonymous Anónimo said...

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Terça-feira, Julho 18, 2006

 
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Quinta-feira, Julho 20, 2006

 
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Sexta-feira, Julho 21, 2006

 

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