Media: poder ou contrapoder?
Durante muitas décadas os media serviram a sociedade. O jornalismo de investigação e de reposição dos valores morais, levava a denunciar corrupções, abusos de poder e situações escandalosas de forma a promover a sua rápida e justa solução.
O Estado Novo, como é bem sabido, revolucionou este estado de coisas. Não só deixou de haver jornalismo de investigação, como o próprio jornalismo de informação ficou circunscrito ao exíguo círculo deixado em aberto pelo governo – que controlava o instituto da censura prévia e com ele toda a informação que passava para a opinião pública. O poder não mais era controlado.... ele tinha passado a controlar!
Para a felicidade de muitos e para a infelicidade de poucos, os cravos puseram um fim à ditadura e esta levou consigo as proibições de livre expressão individual e colectiva. O regime democrático instaurou-se e trouxe com ele um jornalismo totalmente permissivo, capaz das coisas mais belas e mais bárbaras!
Sendo o povo a pedra toque de um regime democrático, e sendo esse mesmo povo completamente absorvido e manipulado por avalanches de informação não limitada que lhe é transmitida todos os dias pelos media, a solução deste silogismo é simples: quem controla os media controla a opinião pública e, consequentemente, também o poder...! Simple as that!
Todavia, o problema mais cabeludo nem sequer é esse...! Como alguns sabem e muitos ignoram, por de trás destes media repousam grandes lobbies que ao proliferarem pelas massas um “modelo único de pensamento”, retiram, em seu proveito, dividendos cujo crescimento é directamente proporcional ao seu poder! Assim, o jornalismo de hoje, tem em vista, não elucidar os telespectadores para os problemas que assolam o país e o mundo, tem sim, o propósito de lhes atirar constantemente areia para os olhos e restringir a sua mente, direccionando-a a pensar os problemas num único sentido: o mais favorável aos interesses dos grandes grupos económicos e políticos!
Salvo melhor opinião, creio que é imperativo criar certas e determinadas imunidades que evitem a metamorfose que nos impõem diariamente. É desumano a forma como a sociedade e os media ditam, todos os dias, a nossa transformação, de seres pensantes (ou com pretensões a isso) em meras máquinas programadas para proclamar as mesmas palavras e encenar os mesmos gestos...!
É impressão minha ou a forma como se desenvolvem os media é contrária ao fim de um regime democrático, onde os cidadãos se querem cultos, elucidados e capazes de pensar com uma cabeça que é sua...!? Não estaremos nós erradamente convencidos de que somos efectiva e realmente livres?!
Enfim...às vezes tenho a ligeira sensação (talvez equivocada, não sei...) de que nos deram asas sem nos ensinar a voar...!

6 Comments:
Uma descrição interessante dos media... contudo não concordo com todos os pressupostos assinalados. Primeiro, existem muitos lobbys de factos e se todos concorrem entre si, não implica que necessáriamente haja a preferência ou domínio de um em relação a outros...Se há quais são? Segundo, a questão da media estupidificante, na minha opinião, está mais associada ao público, pois é, no meu ponto vista, mais a procura que neste caso dita a oferta do que o contrário. Deveria ser essencialmente o estado a prover um conteudo mais apropriado, e aí estamos de acordo, isso é práticamente inexistente. Finalmente, julgo que há uma ligação confusa entre media e noticiários...durante uma parte do artigo, penso que o tema desviava-se mais para a questão do jornalismo irresponsável e noticiários caricatos, do que propriamente a caracterização da instituição dos media. Salvo estes aspectos gostei bastante do artigo, muito bem escrito...
Segunda-feira, Junho 05, 2006
Gostei do artigo, mostra que ainda ha quem se revolte contra este sistema. Todavia, parece que é um sistema que veio para ficar. Olhando para Espanha ou Itália, os problemas aqui levantados parecem ser de ainda maior dimensao que na nossa realidade. Penso que os obtusos é que tem de acordar, os média so lhes acabam por dar o que eles pedem (por ex. tvi lider de audiencias). Quanto ao jornalismo de investigação, telejornais, etc... parece-me que em portugal a RTP é a estação mais imparcial no seio do 4º poder.
Segunda-feira, Junho 05, 2006
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Sábado, Julho 01, 2006
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Sexta-feira, Julho 21, 2006
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